Dengue

A dengue é uma doença viral que se espalhou rapidamente pelo mundo. Nos últimos 50 anos a incidência aumentou 30 vezes. Estima-se que cerca de 50 milhões de infecções por dengue ocorram anualmente no mundo.

 

No Brasil, sucessivas epidemias de dengue vêm ocorrendo desde 1986, sendo a maior em 2013, com aproximadamente 2 milhões de casos notificados. Desde 2006 nota-se um aumento da doença em crianças e adolescentes, correspondendo a 25% dos indivíduos notificados e hospitalizados.

Transmissão

Os vírus da dengue são transmitidos por mosquitos fêmeas infectados do gênero Aedes, principalmente o Aedes aegypti, Aedes albopictus e Aedes polynesiensis. O Aedes aegypti é o vetor mais eficiente, por habitar locais que os seres humanos vivem, ter preferência pelo sangue humano e ter grande capacidade de adaptação às transformações ambientais provocadas pelo homem.

Geralmente procriam dentro ou perto das casas, colocando seus ovos em recipientes que contenham água limpa. Eles se alimentam durante o dia, principalmente ao amanhecer e entardecer, e não a noite. Assim, pessoas que ficam em casa durante o dia têm maior risco de contrair a doença.

aedesaegypti
Aedes aegypti

 

Como os Vírus da Dengue causam Infecção?

Os vírus da Dengue são da família Flaviviridae e existem 4 tipos de sorotipos, denominados vírus da dengue tipo 1, 2, 3 e 4.

Após a picada do mosquito, a replicação viral inicia-se e torna-se aumentada em torno de 3 a 7 dias até o término do período febril. O vírus infecta principalmente células do sangue, mas também pode infectar fígado, baço, medula óssea, estômago, pulmões, rins e possivelmente o cérebro.

Logo após o contato com o vírus, o sistema imunológico do hospedeiro já está ativo, produzindo células para combater a infecção. Serão produzidos anticorpos contra o sorotipo que está causando a infecção. A imunidade contra esse sorotipo específico gera imunidade por toda a vida. Entretanto, a imunidade contra os outros sorotipos é transitória, e os indivíduos podem se infectar por esses outros sorotipos ao longo da vida.

Para que esses anticorpos sejam neutralizantes, ou seja, matem efetivamente o vírus, eles devem estar presentes em um determinado nível no sangue. Quando a concentração desses anticorpos está abaixo desse nível (subneutralizantes), ao invés de conferir proteção, eles aumentam a chance de infecção por outros sorotipos além de propiciar um estado inflamatório que facilita a evolução para quadros mais graves da doença.

É por isso que caracteristicamente a febre hemorrágica da dengue e a síndrome do choque da dengue, que são os quadros graves da doença, ocorrem em pessoas que já apresentaram dengue previamente.

Sintomas da Dengue

A dengue pode se manifestar de várias formas. Quadros clínicos possíveis:

  • Nenhum sintoma
  • Poucos sintomas
  • Dengue clássica
  • Febre hemorrágica da dengue
  • Síndrome do choque da dengue

Infecções assintomáticas ou pouco sintomáticas correspondem a 29 a 50% dos casos.

Dengue Clássica

  • Febre súbita, geralmente alta, que pode durar de 5 a 7 dias
  • Dor de cabeça, principalmente atrás dos olhos
  • Dor no corpo e nas articulações
  • Prostração, cansaço, falta de apetite e sonolência
  • Vômitos, náuseas, dor abdominal e vermelhidão na pele (exantema macular)
  • Pontos vermelhas na pele que não somem quando pressionadas (petéquias)
    exantema
    Exantema macular: acomete todo o corpo exceto palma das mãos e planta dos pés. Após a sua remissão pode surgir coceira nos pés e mãos
    petequias
    Petéquias: surgem em geral nas pernas e pés, mas podem aparecer nas axilar, punhos, dedos e na boca

 

Cinco a 30% dos casos de dengue clássica podem apresentar sintomas hemorrágicos, como:

  • Sangramento na gengiva
  • Petéquias
  • Sangramento nasal
  • Sangramento na urina ou nas fezes
  • Aumento da menstruação

 

Febre Hemorrágica da Dengue e Síndrome do Choque da Dengue (FHD/SCD)

Cerca de 3% das pessoas infectadas evoluem para as formas graves da dengue.

O que acontece é uma aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos, permitindo que o líquido em seu interior extravase para fora deles, levando a um quadro de choque, ou seja, queda importante da pressão arterial com difícil controle com medicações.

Ambas ocorrem caracteristicamente na segunda infecção pelo vírus da dengue, entretanto, principalmente em crianças pequenas, pode ocorrer na primeira infecção.

O quadro inicia-se igual a dengue clássica, porém 3 a 7 dias ocorrem os sintomas das formas graves:

  • Plaqueta baixa (< 100.000/mm3)
  • Sinais de sangramento (na gengiva, na pele, nas fezes)
  • Aumento do hematócrito
  • Acúmulo de líquido no pulmão e/ou na barriga

Sintomas Atípicos da Dengue

São bem raros, mas podem acontecer:

  • Neurológicas
    • Meningite, encefalite
    • Síndrome de Guillain-Barré e paralisia de Bell
    • Hemorragias
  • Gastrointestinais:
    • Hepatite aguda
    • Diarréia aguda febril
    • Pancreatite
  • Renais:
    • Síndrome hemolítico-urêmica
    • Insuficiência Renal
  • Coração:
    • Inflamação na musculatura do coração

 

Diagnóstico

Exames podem nos auxiliar no diagnóstico da dengue frente aos sintomas acima:

Prova do Laço

Consiste em avaliar o aparecimento de petéquias após realização de pressão no braço.

Exames Laboratoriais

Algumas alterações são sugestivas de dengue, como:

  • Diminuição das plaquetas e dos glóbulos brancos (leucócitos)
  • Aumento do hematócrito
  • Aumento das enzimas do fígado
  • Alteração na coagulação

Exames que confirmam o diagnóstico

  • Detecção do antígeno NS1: detecta a presença do vírus no sangue da pessoa, pode ser feita nos primeiros dias da doença, quando a febre está presente
  • Sorologia: avalia a presença de anticorpos específicos contra os sorotipos da dengue. Pode ser feita a partir do 6o dia de doença.

Na suspeita de dengue, procure um serviço de saúde. Evite a auto medicação.

 

Outras doenças que se parecem com a dengue:

  • Síndrome febril: enteroviroses, influenza e outras viroses respiratórias, hepatites virais, malária, febre tifóide e outras arboviroses (Oropouche)
  • Síndrome exantemática febril: rubéola, sarampo, escarlatina, eritema infeccioso, exantema súbito, enteroviroses, mononucleose infecciosa, parvovirose, citomegalovirose, outras arboviroses (Mayaro), farmacodermias, doença de Kawasaki, doença de Henoch-Schonlein
  • Síndrome hemorrágica febril: hantavirose, febre amarela, leptospirose, malária grave, riquetsioses e púrpuras
  • Síndrome dolorosa abdominal: apendicite, obstrução intestinal, abscesso hepático, abdome agudo, pneumonia, infecção urinária, colecistite aguda
  • Síndrome do choque: meningococcemia, septicemia, meningite por influenza tipo B, febre purpúrica brasileira, síndrome do choque tóxico e choque cardiogênico (miocardites)
  • Síndrome meníngea: meningites virais, meningite bacteriana e encefalite

 

Tratamento

Não existe medicação específica que mate o vírus da dengue, assim, é realizado o controle dos sintomas com medicações conforme a necessidade.

O mais importante é a monitorização contínua de possíveis complicações para que o tratamento seja instituído rapidamente e hidratação adequada, com reposição de fluidos intravenoso se necessário.

 

Prevenção

A prevenção é a melhor forma de combater a dengue.

  • Usar repelente e inseticidas para evitar a picada do mosquito (Confira o Post sobre Repelentes)
  • Evitar o acúmulo de água parada próximo a áreas residenciais
  • Uso de água sanitária para matar as larvas do mosquito pode ser utilizada apenas em águas que NÃO serão utilizadas para consumo humano ou de animais

 

Local Tratamento
Vasos sanitários que não são de uso diário Adicionar 1 colher de chá (5ml) de água sanitária
Caixa de descarga sanitária que não é de uso diário Adicionar 2 colheres de sopa (30ml) de água sanitária
Ralos externos (captam água de chuva e de limpeza) e internos Adicionar 1 colher de sopa (15ml) de água sanitária
Tambores de armazenamento (200 litros) de água não utilizada para consumo humano Adicionar 2 copos americanos (400ml) de água sanitária
Bromélias, bambus e plantas que possam acumular água 1 colher de café (2ml) para cada litro de água e preencher nos locais onde acumulam água
O tratamento deve ser repetido semanalmente, preferencialmente em dia fixo, de modo a garantir que a solução continue efetiva no combate às larvas.

 

dengue
Prevenção da Dengue: Cuidados dentro de casa

 

Vacina

Confira o Post sobre Vacina contra Dengue

 

Fonte: Combate o Aedes – Ministério da Saúde / Livro Pronto-Socorro (Pediatria – Instituto da Criança Hospital das Clínicas) 

2 comentários em “Dengue

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s